Star Wars The Clone Wars






Inicialmente concebido como um longo episódio para a tevê cujo propósito era abrir a série animada que será exibida no Cartoon Network e na TNT, este Star Wars: The Clone Wars só ganhou uma distribuição nos cinemas depois que George Lucas, sempre atento para o potencial comercial de seus projetos, percebeu que os fãs de sua já mais do que explorada saga provavelmente pagariam de bom grado para ver a história em tela grande. Infelizmente, se já poderia ser considerado um esforço medíocre em sua origem televisiva, o trabalho se torna ainda pior como obra cinematográfica, já que suas limitações estéticas se tornam ainda mais evidentes quando expandidas na telona. Para piorar, é triste ver um Star Wars que, além de não contar com a fanfarra da Fox na introdução, ainda surge sem a batuta de John Williams ou a voz de Frank Oz saindo dos lábios de Yoda – algo inédito na história da série.

Escrito por Henry Gilroy, Steven Melching e Scott Murphy (todos habituados a séries de tevê) a partir de uma história concebida por Lucas, The Clone Wars se passa no período entre os episódios II e III da nova trilogia – o que, é claro, já elimina qualquer possibilidade de que sejamos surpreendidos pela trama. Envolvidos nas guerras clônicas, Obi-Wan Kenobi (Taylor) e Anakin Skywalker (Lanter) são designados por Yoda (Kane) para uma missão delicada: resgatar o filhote de Jabba the Hutt, que foi seqüestrado por mercenários, a fim de que os Jedi possam fazer um acordo estratégico com o pai agradecido. Porém, para complicar as coisas, Anakin se vê preso a uma padawan (aprendiz) originalmente requisitada por Kenobi – e a garota, Ahsoka (Eckstein), revela-se tão impulsiva quanto seu novo mestre.
Claramente acrescentada ao universo de Star Wars para permitir que o público mais jovem encontre algum personagem com o qual possa se identificar diretamente, Ahsoka se transforma num equívoco tão grande quanto o insuportável Jake Lloyd de A Ameaça Fantasma – e é revelador que, apesar de ser identificada como “apenas uma criança”, a menina seja visualmente concebida como uma moça com seios e cintura fina cuja silhueta é ainda mais explorada pelas roupas mínimas (em outras palavras: o diretor Dave Filoni quer apelar simultaneamente às crianças e adolescentes, sem perceber que, com isso, sexualiza uma personagem infantil). Como se não bastasse, Ahsoka exibe uma personalidade tão antipática quanto à do próprio Anakin, o que obriga o público a passar quase duas horas acompanhando discussões aborrecidas entre dois personagens nada atraentes. E posso estar equivocado, mas... o fato de Darth Vader ter uma padawan não deveria ser algo extremamente importante no contexto geral da série? Então por que nunca havíamos ouvido falar de Ahsoka?



Prejudicado ainda por uma história terrivelmente desinteressante, The Clone Wars entrega a falta de cuidado com que o roteiro foi finalizado já em seus diálogos rasteiros e no excesso de piadinhas sem a menor graça (os dróides, em particular, se transformam em aspirantes a humoristas que só conseguem fazer rir pontualmente). Além disso, a trama, já mal amarrada em sua concepção, se desintegra de vez ao ser obrigada a incluir participações de personagens que nada contribuem para o seu desenvolvimento – e o fato da Senadora Amidala (Taber) surgir de repente no terceiro ato é um exemplo óbvio deste problema (o mesmo pode ser dito sobre o tio de Jabba).
Fracassando até mesmo em suas seqüências de ação, que abusam de batalhas paralelas que, visando manter o ritmo da narrativa sempre intenso, desapontam pela falta de imaginação com que são encenadas, o filme ao menos conta com uma vilã interessante na figura de Asajj Ventress (Futterman) – mas isto não compensa a maneira burocrática com que os duelos são orquestrados. Aliás, além de frouxos em sua coreografia, estes embates se tornam ainda menos impactantes em função da falta de fluidez com que os personagens são animados, já que a recém-inaugurada Lucasfilm Animation se encontra a anos-luz do apuro técnico da Pixar ou da PDI/Dreamworks – o que pode ser constatado na maneira dura com que as figuras se movem (observem, por exemplo, quando Obi-Wan cruza os braços). Vale apontar, inclusive, que até mesmo o visual dos personagens deixa a desejar, surgindo pouco expressivo e excessivamente borrachento.



Enquanto isso, Filoni, como diretor estreante, jamais explora o potencial da animação computadorizada, ignorando a liberdade com que poderia movimentar sua “câmera” e criando, no processo, um trabalho sem quaisquer atrativos cinematográficos. Se somarmos, a isso, a frágil trilha de Kevin Kiner, que soa exatamente como aquilo que é – uma imitação barata de John Williams -, The Clone Wars acaba se apresentando como um caça-níqueis que serve apenas para diminuir a relevância da série na qual está inserido.



Quando Lucas irá perceber que, ao insistir em espremer sua criação por mais alguns trocados, está apenas sabotando o próprio legado?
Observação: após os créditos finais, a vinheta animada (e igualmente pedestre) da Lucasfilm Animation faz sua primeira aparição.

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