Homem de Ferro




Estúdio: Marvel Studios
Distribuição: Paramount Pictures
País de Origem: Estados Unidos
Gênero: Ação
Duração: 126 min
Censura: 12 anos
Produção: Kevin Feige,Avi Arad
Fotografia: Matthew Libatique
Personagens: Don Heck,Jack Kirby,Stan Lee (I),Larry Lieber
Site Oficial: http://www.ironmanmovie.com

Ator extremamente talentoso que sobreviveu a um longo mergulho na dependência química quase que por milagre, Robert Downey Jr. teve uma das carreiras mais instáveis de sua geração, ofuscando sua precoce indicação ao Oscar por sua magnífica performance em Chaplin graças aos seus vários encontros com a polícia em função das drogas. Sem contar com um tipo físico que o qualificaria ao posto de protagonista de um filme de super-herói, Downey Jr. é uma escolha tão estranha para o papel de Tony Stark quanto foi a de Michael Keaton para viver Batman, há cerca de 20 anos – e é justamente seu talento como intérprete que o faz triunfar na empreitada.



Inspirado no personagem criado por Jack Kirby, Larry Lieber, Don Heck e Stan Lee (que faz sua ponta habitual de maneira divertida, sendo confundido com Hugh Hefner), o filme é, como não poderia deixar de ser, uma história de origem, narrando detalhadamente o surgimento do imponente Homem de Ferro a partir de um incidente violento da vida do bilionário Tony Stark (Downey Jr.), que, durante viagem ao Afeganistão para apresentar um novo armamento aos militares, é capturado por guerreiros locais e gravemente ferido. Obrigado a construir sua nova invenção sob pena de ser morto, Stark decide criar uma poderosa armadura a fim de se libertar, sendo auxiliado na tarefa pelo sujeito que salvou sua vida depois de acoplar um imã ao seu peito a fim de impedir que estilhaços de ferro entrem em seu coração.
Escrito a oito mãos por Mark Fergus, Hawk Ostby (responsáveis por Filhos da Esperança), Art Marcum e Matt Holloway, o roteiro tem a boa idéia de iniciar a narrativa a partir do instante em que Stark é capturado, criando uma introdução impactante que cria um bom contraste entre o jeito irreverente com que o protagonista interage com alguns soldados e o inesperado do ataque que se segue. A partir daí, os roteiristas empregam uma cerimônia de premiação como forma de apresentarem brevemente a história do sujeito, cujo pai representa uma referência óbvia ao excêntrico magnata Howard Hughes (além de dividirem o primeiro nome, eles dividem traços físicos, incluindo o bigodinho canastrão). Com isso, Homem de Ferro já prende o espectador desde o primeiro minuto, jamais desperdiçando tempo com longas exposições que poderiam soar artificiais.



Da mesma maneira, ao encarnar Tony Stark com a mesma seriedade e disciplina com a qual interpretou Charles Chaplin, Robert Downey Jr. confere um importante peso dramático ao personagem – e o cinismo que toma conta do bilionário depois de sua traumatizante experiência é um contraponto claro à ironia e à arrogância que exibia como autêntico playboy anteriormente. Estas cenas, aliás, são importantes para ilustrar a forma superficial com que Stark conduzia sua vida, sem jamais avaliar as conseqüências de seus atos e sempre deslumbrado com a própria inteligência e com o poder que seu império fornecia - e é uma pena que o roteiro dê um leve tropeço ao sentir a necessidade de frisar a solidão do sujeito ao incluir um momento em que Yinsen comenta que o protagonista “tem tudo... e nada”, numa fala que apenas martela o óbvio.
Por outro lado, os roteiristas se saem bem melhor ao ilustrarem a natureza cíclica da violência e do comércio de armas através do choque de Stark ao perceber que está sendo atacado justamente com o armamento que ajudou a construir. Isto, aliás, serve como um comentário claro do filme à história recente dos Estados Unidos, cuja ganância no que diz respeito à indústria bélica (e sua política externa demagógica) resulta em trágicas ironias como guerras travadas com antigos aliados como Saddam Hussein e Osama bin Laden. Assim, quando Stark, vestido com sua nova armadura, dedica-se a destruir as armas que criou, Homem de Ferro faz simultaneamente um comentário sobre a “guerra contra o terrorismo” e a hipocrisia de um país que viabiliza a mesma violência que declara enfrentar – e é sempre uma boa surpresa quando uma superprodução claramente interessada no puro entretenimento encontra maneiras orgânicas de incluir subtextos mais sérios em sua narrativa.
Outra surpresa agradável, aliás, é perceber os esforços do diretor Jon Favreau em criar um universo mais realista para sua história: desde o princípio, quando vemos Stark construindo a primeira versão da armadura, o filme procura convencer o espectador de que tudo aquilo é realmente possível (ou, no mínimo, não tão absurdo). Assim, um bom tempo é dedicado ao processo de construção do protótipo e vemos, com detalhes, as dificuldades do herói em vestir a roupa e utilizá-la corretamente. Da mesma forma, mais tarde acompanhamos os ajustes e melhorias feitos na armadura, desde seu formato às cores usadas para pintá-lo.



O resultado é que, neste sentido, Homem de Ferro se aproxima de Batman Begins e foge do estilo mais fantasioso de Homem-Aranha ou Superman, o que também só é possível, obviamente, graças à própria natureza dos “poderes” de seus protagonistas – e é por esta razão que o filme perde um pouco de sua força ao incluir momentos (pontuais, felizmente) nos quais Stark parece indestrutível, como ao sobreviver a uma imensa queda ou ao escapar das conseqüências de uma imensa explosão apenas ao virar o rosto na direção oposta. Além disso, as três versões da armadura criadas pela empresa do fantástico Stan Winston são impecáveis: enquanto a primeira surge pesadona, feia e desajeitada, refletindo a falta de recursos durante sua construção, as versões posteriores se tornam gradualmente mais elegantes e sofisticadas, sendo complementadas pelos ótimos efeitos da Industrial Light & Magic, que retratam os movimentos das peças da armadura de maneira natural e convincente.
Investindo num humor sutil que torna a narrativa mais leve sem diluir muito sua força dramática, Homem de Ferro se beneficia também da interpretação discreta de Jeff Bridges, que encarna o ambíguo Obadiah Stane sem se entregar aos exageros tão comuns aos personagens similares do subgênero “filme de super-herói”: completamente calvo e exibindo uma enorme barba, Bridges parece ter saído diretamente dos quadrinhos, mas acaba sendo prejudicado pela única grande falha do roteiro, que não consegue fornecer motivações fortes o bastante para as ações de Stane (em certo momento, quando ele grita “Nada ficará em meu caminho!”, não conseguimos compreender nem mesmo que “caminho” é este ou como ele pretende concluir seus planos depois que estes já foram expostos ao mundo. Ou mesmo quais são exatamente estes tais “planos”.). Enquanto isso, Gwyneth Paltrow faz milagres com uma personagem construída para ser pouco mais do que um interesse romântico do herói, tornando Pepper Potts (estes nomes de quadrinhos...) uma figura carismática e interessante. Infelizmente, Terrence Howard tem menos sucesso, surgindo no piloto automático (com o perdão do trocadilho) como o piloto da aeronáutica que também é o melhor amigo de Tony Stark – e é triste constatar que ele acaba sendo eclipsado até mesmo por Paul Bettany, que diverte com a irreverência com que empresta sua voz a Jarvis, o assistente virtual do protagonista.



Representando uma surpresa tão grande quanto a escalação de Robert Downey Jr. como herói de ação, o cineasta Jon Favreau se revela uma aposta bem sucedida da Marvel, já que nada em seu currículo o qualificaria como candidato ideal a uma superprodução como esta (Um Duende em Nova York e Zathura são obras divertidas, mas também sem qualquer peso): acertando no tom realista que confere ao filme, Favreau (que faz uma ponta como guarda-costas de Stark) comanda uma equipe competente, destacando-se, claro, o ótimo design de produção de J. Michael Riva, que contrasta a frieza e o ambiente claustrofóbico e desconfortável da caverna no Afeganistão aos espaços amplos e elegantes da mansão de Stark, incluindo-se, aí, seu imenso escritório com uma vista magnífica da fábrica ao seu redor. Além disso, o diretor também demonstra firmeza ao conduzir as ótimas seqüências de ação (com exceção do confronto final decepcionante) e ao empregar com sabedoria os bons temas em guitarra elétrica criados pelo compositor Ramin Djawadi.
Ainda que não tenha a força de Batman Begins ou a ressonância temática da trilogia X-Men, este Homem de Ferro é eficaz o bastante para nos convencer de que uma franquia promissora pode vir a se estabelecer num futuro próximo. E com um protagonista como Robert Downey Jr., ela sempre terá, no mínimo, uma performance intrigante a oferecer.
Observação: Há uma cena importante após os créditos finais – e que conta com a participação surpresa de um ator bastante conhecido.
Fonte: http://www.cinemaemcena.com.br
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