Turma da Mônica - Uma Aventura no Tempo

A Turma da Mônica emUma Aventura no Tempo


Mauricio de Souza é dos poucos brasileiros que podem ser comparados, guardadas as devidas proporções, a Walt Disney. Antigo repórter policial, Mauricio começou a desenhar já na década de 1950 e a publicar tirinhas em jornais e revistas com os personagens que seriam conhecidos como a “Turma da Mônica”. Hoje os personagens são responsáveis por um verdadeiro império que compreende longas para cinema, séries animadas de televisão, gibis que vendem na casa dos milhões e uma linha infindável de produtos com a turma. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, além de outros personagens, fizeram e fazem a infância de várias gerações com suas histórias simples que há muito deixaram de ser criadas pelo próprio Mauricio (que, como bom empreendedor, soube quando delegar tarefas para crescer), mas que carregam a marca do seu criador.
Após anos longe dos cinemas por causa dos eternos problemas financeiros que assolaram o país, a turma volta agora com sangue novo, parcerias internacionais e uma ambição maior do que simplesmente levar para as telas um “gibi animado” (como foi o caso de vários produtos lançados diretamente para o mercado de home video). Assim, “Uma Aventura no Tempo” chega com o respaldo de parcerias com a distribuidora americana Buena Vista (Disney) e produtoras brasileiras como Diler Trindade e Labo Cine Digital. O resultado é um filme divertido para as crianças, com um roteiro bem escrito e redondo.

A aventura do título começa quando Franjinha, o cientista da turma, resolve juntar os quatro elementos (fogo, água, ar e terra) em uma máquina para viajar no tempo. Só que em uma das eternas brigas entre a Mônica e o Cebolinha a máquina dá pane e manda cada um dos elementos para uma época diferente, o que pode causar o congelamento do Tempo. Para consertar a situação, só enviando cada membro da turminha atrás de um elemento diferente. Mônica vai atrás do elemento “fogo” na pré-história e conhece o personagem Piteco, que está tentando impedir que a namorada seja jogada em um vulcão como sacrifício aos deuses. Cebolinha vai parar no futuro atrás do elemento “ar” e encontra o personagem Astronauta. Os dois têm que lutar com uma linda pirata espacial chamada Cabeleira Negra. Há uma ótima piada quando Cebolinha, que sempre troca os “R” por “L”, é obrigado pela pirata a tentar falar o nome dela. Magali é enviada alguns anos no passado e encontra a si mesma e o resto da turma em versões “bebê”. Ela encontra o elemento “terra” nas mãos de uma Mônica bebê que, teimosa como sempre, se recusa a soltá-lo. Cascão, justo ele, é enviado atrás do elemento “água” durante a época da colonização do Brasil. Só que há algo errado com a floresta e a aldeia indígena onde ele chega. A água sumiu do rio, as plantações estão secando e as crianças estão passando fome. Os índios acreditam que Cascão, mesmo cheirando mal como um gambá, seja uma espécie de “salvador” que veio ajudá-los. Ele descobre que o elemento “água” está nas mãos de um bandeirante malvado que secou o rio para facilitar a retirada do ouro.
As quatro histórias se ligam de forma dinâmica e o filme tem um bom ritmo. A animação mescla elementos tridimensionais com animação em duas dimensões que por vezes não combinam direito, mas o resultado é bom. Mauricio de Souza chegou a tentar uma parceria com os estúdios de animação asiáticos que hoje são responsáveis por grande parte da produção americana, mas “Uma Aventura no Tempo” é um produto todo feito no Brasil. E é um bom produto, bem feito e ambicioso, sem fazer concessões comerciais fáceis como convidar artistas globais para fazer participações especiais, por exemplo, ou encher o filme de números musicais para vender discos. O filme tem alguns momentos musicais sim, mas eles fazem parte da trilha sonora e não atrapalham o andamento da trama.
Divertido e inteligente, o filme é boa pedida para a garotada e, se for bem sucedido, pode indicar a volta da turminha para o cinema de forma definitiva.
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